Vomitations of the Grotesque Princess – análise crítica

Você conhece Gustavo há décadas, cresceram juntos, passaram por umas poucas e boas e jogam RPG.

Aí ele escreve um fanzine de um RPG meio diferentão, e manda para tu dar uma olhada.

Mas como vocês são amigos, ele coloca uma carta junto, um lance que só quem se conhece há muito tempo colocaria.

É assim que o leitor se sente ao ler o Vomitations.

Eu não conheço o Gustavo, nunca vi sua cara, não ouvi sua voz. Mas a impressão que tenho é o contrário disso, por uma escolha do próprio autor.

O Zine começa com um manifesto chamado “Palavras de conforto sobre o existencialismo niilista”, e nessa introdução ele aproveita para escancarar sua vida. O leitor que veio procurando material de RPG asséptico pode ir embora, aqui o trabalho é pessoal e o Gustavo agora é seu amigo, em carne, ossos e papéis xerocados.

O próximo trecho é a descrição de um PdM (ou PNJ – personagem não jogador, como o autor preferiu) que é a figura do matuto contador de histórias distribuindo ganchos para aventuras. Imagine um Rolando Boldrin arcano e sombrio, que ao invés de causos caipiras, tenha um repertório de lendas macabras.

A seguir temos a descrição de um guerreiro que renasce da morte num ciclo destrutivo. Para fins práticos, Igor é o tipo de PNJ útil para reforçar um grupo desfalcado de força bruta, cuja morte não é o ponto final de sua carreira. Isso pode gerar situações peculiares, do tipo “mas você não morreu no último combate?”

A criatura grotesca que Gustavo mostra a seguir é uma espécie de espírito maligno, materializado em 10 opções de ações aleatórias. Enquanto conceito é interessante, mas acredito que os jogadores da minha mesa trucidariam essa criatura na primeira oportunidade.

Faltou ainda definir o HD e o dano das facadas que o espírito maligno pode desferir. Eu ainda definiria a compatibilidade da criatura em relação a poderes de Espantar Mortos-Vivos e similares.

As perícias descritas no trecho seguinte estão mais alinhadas à sistemas que fazem uso destas habilidades, mas mesmo em jogos que não tenham sistema de perícias elas são úteis, porque descrevem efeitos práticos do seu uso.

Por fim temos uma série de tabelas para geração dos elementos e passos para um ritual maligno.

Leitura agradável para o transporte público

Eu particularmente não jogo com personagens malignos, e tampouco encorajo meus jogadores à fazê-lo. Mesmo assim achei as tabelas de grande valia, porque elas trazem detalhes suficientes para que os heróis interrompam o ritual e atrapalhem a atuação de seus inimigos.

Considerando tudo, os 5 reais (já com frete) valem a pena. Você compra um Zine, mas leva junto um amigo.

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